Lirinha


Voz, pandeiro, recita poesias, compositor e escreve os textos do espetáculo


Origem: Arcoverde
Lirinha - Arcoverde é a minha cidade. Nasci lá, me criei lá, e trago lembranças e influências de lá. Morei 22 anos em Arcoverde e não faz nem um ano que estou morando em Recife.

Lirinha sempre ouviu muita poesia em Arcoverde, de poetas que nem mesmo tinham suas obras registradas. Desde de muito pequeno freqüentou ambientes onde podia ouvir os cantadores da região. Ele mesmo diz que o que aprendeu foi ouvindo e não lendo. Ele conheceu Alberone Padilha (ex-integrante do grupo) e os dois apresentaram juntos um espetáculo chamado Brasil Caboclo, em Arcoverde e outras cidades do sertão pernambucano. Era uma espetáculo de poesia que tinha a participação de mestres de coco de Arcoverde.

Lirinha é considerado, pelos próprios poetas, um legítimo herdeiro da poesia oral sertaneja, escrita apenas na memória. Como se vê, não foi necessário "resgatar" nada, existe aí uma continuidade, uma preservação, elemento fundamental para o desenvolvimento da cultura de um povo.

Lirinha - Se eu fosse me definir através de uma poesia, eu acho que seria com uma quadra de Inácio da Catingueira, um cantador escravo de senzala mesmo, que nasceu dois anos antes do aclamado "poeta dos escravos" Castro Alves. E ele cantando um dia disse:

"Meu viver é misturado de sofrer e de alegria
Sou escravo no roçado, mas sou rei na cantoria."



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