Banda Cordel do Fogo encanta Salvador
Cristina Siquara
Salvador - Dando prosseguimento à série de apresentações realizadas durante o III Mercado Cultural Latino Americano, a
banda Cordel do Fogo Encantado invadiu o palco da Concha Acústica do Teatro Castro Alves, sábado (8) à noite, com todo
o seu impressionante estilo lírico-percussivo, vindo diretamente do sertão de Pernambuco. Mais uma vez, os ingressos para
o show do Cordel se esgotaram em instantes após o início das vendas nas bilheterias da Concha Acústica.
O Cordel do Fogo Encantado é formado por Clayton Barros, Emerson Calado, Rafael Almeida, Nego Henrique e Lirinha, este
último o cantor e principal letrista do grupo. Os cinco músicos, originários da pequena cidade de Arcoverde, a
aproximadamente 250 km de Recife, levaram mais uma vez uma verdadeira multidão a prestigiar seu show de base fortemente
percussiva e dotado, paralelamente, de uma carga poderosamente poética.
No palco, iluminação e cenografia dignas de um verdadeiro espetáculo teatral, coisa que parece ser a especialidade dos
meninos. Lirinha recita os textos de sua autoria como quem sonha diariamente com as estórias do sertão, ou com a emoção
de quem já viveu muito perto da realidade retratada em seus repentes.
O espetáculo parece ter sido pensado verdadeiramente como uma estória de cordel, com início, meio e fim. As primeiras
músicas são as mais impactantes, como se dessem a idéia de que algo estaria prestes a surgir ali, perante o público. Já
as últimas parecem realmente despedidas, cantos e poesias relacionados à espera pela chuva, à dura vida no sertão e à
morte, que é tratada pelo grupo como uma grande transformação.
Notoriamente influenciado pelo movimento Mangue Beat de Pernambuco e pelo Maracatu, bem como pelas tradições musicais
do sertão, cantadores de viola e repentistas, o grupo lançou o seu primeiro CD independente, "Cordel do Fogo Encantado",
em 2000, produzido pelo renomado percussionista Naná Vasconcelos.
Recentemente apresentado na Europa, e com tudo para ir ainda mais longe, o show do Cordel, composto por poesias
emocionantes e com um público sempre entusiástico, traz para as grandes cidades as dores e esperanças do sertão, o
que Lirinha recita tomado por um encanto único na música Toada Velha Cansada: "Seca. Meu olho, teu caldeirão. Teu colo,
meu oratório. Teu sonho, meu cobertor".
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