16. Profecia Final (ou No Mais Profundo)
(Letra: Lirinha)
Adeus povo, adeus árvores adeus campo
Aceitai minha despedida*
Fico governando essa zona de cá por inteiro até
a ponta dos trilhos em Rio Branco
e o senhor governa por sua vez
do Rio Branco até a pancada do mar**
Espinhos soltos no chão
Mistérios presos no ar
Não desejei esse cajado infinito
Anuncio a tua vinda
No silêncio dos cocões
Já vou meu primeiro trago
Longe da terra primeira
A nitidez se acentua
O nevoeiro se engole
Minhas raízes caminham
Herdeiros do fim do mundo
Queimai vossa história tão mal contada
No mais profundo riacho seco
Na mais alta casa do mundo
Na vastidão do teu olho
Na pancada do segundo
Suor de santa vela acesa
A língua hóstia consagrada
Sangue vinho do meu peito
Pés andor da dor cansada***
*Antônio Conselheiro
**Lampião, em carta enviada ao governador de Pernambuco
***Músicas de Romeiros
Lirinha: voz
Clayton Barros: violão e voz
Emerson Calado: surdo e bojo de surdo
Nego Henrique: djambê
Rafa Almeida: bombo de macaíba
participações especiais: Naná Vasconcelos e Sei Hélio "Butterfly"
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